
A vida as vezes parece um deserto, você vagueia sem saber exatamente para onde ir, porque tudo a sua volta é muito igual, o sol escaldante te irrita, a vista fica nublada, a sede ataca e tudo isso sem saber qual caminho percorrer porque a mesmice de tudo te consome.
Em um certo momento, você olha no horizonte, e não muito longe dali você avista um oásis, alguns coqueiros, água em abundância, sombra... mas você se lembra que aquilo ja havia acontecido, se pergunta se é mais uma miragem ou se de fato é um oásis
São passos tropegos, sem forças, quanto mais se anda, mais longe parece estar dali, quanto mais vontade, mais dificuldades.
De repente você lembra que aquilo já foi vivido um dia e naquele momento decide seguir um outro caminho, mesmo sem forças, mesmo sendo dificil, você escolhe estar no deserto, a ceder a alguma daquelas mesmas coisas que ja havia experimentado.
E mesmo sabendo o quão dificil vai ser essa decisão, você se sente em paz.
Catedral
O deserto que atravessei
Ninguém me viu passar
Estranha e só
Nem pude ver que o céu é maior
Tentei dizer
Mas vi você
Tão longe de chegar
Mais perto de algum lugar
É deserto onde eu te encontrei
Você me viu passar
Correndo só
Nem pude ver que o tempo é maior
Olhei pra mim
Me vi assim
Tão perto de chegar
Onde você não está
No silêncio uma catedral
Um templo em mim
Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir
Eu sei, vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar
Solidão, quem pode evitar?
Te encontro enfim
Meu coração é secular
Sonha e desagua dentro de mim
Amanhã, devagar
Me diz como voltar
Se eu disser que foi por amor
Não vou mentir pra mim
Se eu disser deixa pra depois
Não foi sempre assim
Tentei dizer
Mas vi você
Tão longe de chegar
Mais perto de algum lugar
