
Meu coração dispara só de pensar em tudo o que já aconteceu em relação a você.
Cada música, cada filme, cada frase, cada lembrança, cada desejo que aflora em meu ser e me faz lembrar que ainda sou tua.
Do passado mais remoto ao minuto mais recente eu me lembro de você,
eu me lembro de todas as palavras, de todas as promessas não cumpridas, dos desvaneios da paixão, das ilusões, dos sonhos, das decepções.
Um dia temos que voltar para casa, um dia temos que reconhecer que o caminho é apenas um - somente um.
A minha casa é o seu coração, é onde jamais deveria deixar de habitar, mas é onde nunca permaneci por muito tempo.
Sou sua sem ser, sem provar, sem saber.
Sou tua desde o príncipio, desde a mais longínqua vontade.
Mas é o teu coração que me angústia.
É saber que tenho que dividi-lo como todas aquelas que amou, mesmo sabendo que nunca deixastes de me amar, que sempre voltastes para mim.
É saber que nem eu mesma me conformo com tamanha indecisão.
É saber que é no teu coração que me deito quando durmo e acordo quando preciso estar longe daqui, quando procuro refúgio, mesmo sabendo que nem és tão porto serguro assim.
É a chama do que ainda resta em mim, da centelha da vontade do desejo, que seguro com unhas e dentes, me controlo e não me deixo levar.
E a vontade alucina a minha noite e prolonga os meus dias, tempo que não passa, hora que não chega, no caminho certo, tempo de esperar, tantas esperas, tantas esperanças, coração bate forte, momento devagar, vida que vai e volta, roda gigante sem parar.
Eu já não sei quem eu sou, eu já não sei quem és tu,
eu sou alma ferida, tu és luz da manhã,
eu sou vento, tu és os contornos,
eu sou vela que se apaga, tu és fogo que arde.