
Eu me alimento da solidão
é na solidão que crio palavras,
não que elas não existam,
mas criam forma quando unidas corretamente.
Eu me alimento do silêncio,
é no silêncio que crio imagens,
vejo possibilidades,
estudo as fontes, a delimitações,
é no silêncio que talvez me encontre.
Eu me encontro nas palavras,
nos momentos angustiantes,
na falta de algo, na escassez do verbo.
As vezes não me encontro,
não controlo, não limito.
As vezes o silêncio, a solidão é pouco,
para definir quem sou.
Na verdade nunca me defino,
se isso acontecer, acabará o eterno desejo de descobrir,
acabará a certeza de um dia poder ser,
acabará o fato de que nada nunca é certo.


