terça-feira, 24 de agosto de 2010

QUEM EU SOU


eu sinto falta de quem poderia ser se tudo tivesse sido diferente, sinto falta das pessoas que nunca vi, daquelas que nunca me viram, mas fazem parte da minha história de vida.
Falta dos momentos onde todos eram sinceros e francos, quando o egoísmo era menor e as pessoas pensavam em ser melhores.
Eu queria ter sido diferente em alguns momentos, com algumas pessoas, queria que a minha alma as tocasse e por meio dela fosse o suficiente para entender quem eu sou.
Eu não sou aquela mulher que agiu desesperadamente aquele dia, eu não sou aquela menina que chorou incontrolavemente naquela tarde, não sou insensível ao ponto de ignorar o que aconteceu e o que está acontecendo, não sou travessa como pensa, não sou nada disso que está tentando descobrir enquanto lê esses pequenos textos que expressam minhas experiências, observações do mundo.
Eu apenas creio que me definir não fará diferença se você realmente não quiser conhecer a pessoa que sou, a alma que habita em mim, a falta que faz te ter aqui.

domingo, 15 de agosto de 2010

SILÊNCIO








Há momentos que pensamos que o mundo deveria parar para que pudessemos consertar nosso erros, nossas mazelas, para que pudessemos reconstruir os nossos relacionamentos, reconstruir os nossos corações.
Talvez eu tenha passado anos demais da minha vida, acreditando que deveria ser assim...
Talvez eu tenha esperado tempo demais achando que as coisas iriam mudar
Talvez eu não devesse imaginar coisas melhores e apenas aguardar em silêncio a tal mudança

A grande questão é que somos humanos e a nossa humanidade não nos permite apenas aguardar, não nos permite sermos insensíveis aos acontecimentos, nossa humanidade não nos redime dos nossos erros, não faz de nós pessoas melhores, não nos distingue dos demais, aliás somos muito parecidos, apenas não queremos acreditar nisso.

Olhando para o mundo e todos os seus acontecimentos, posso observar que todos, todos sem exceção, esperam um grande milagre, uma grande conquista, um grande momento, todos esperam por minutos que serão a diferença em suas vidas. Todos esperam ser reconhecidos em seus serviços, ser valorizados. Todos esperam seus minutos de fama!

Acredito que não sou diferente, acredito que hoje talvez eu pense diferente, talvez eu deseje tudo isso, mas meu coração se silenciou de tal forma que não consigo ouvi-lo, não consigo entende-lo e com certeza não quero entender, minha vida tem sido bem melhor assim, estou me adaptando muito bem a esse silêncio, tem momentos que me angustío, mas na maior parte do tempo esse silêncio me acalma...

Quando o coração teima em ser ouvido, grita insistentemente a gente perde a noção das coisas, dos limites, da nossa própria razão. O coração em silêncio nos permite sermos mais atentos ao que se passa e mais incrédulos aos que mentem.

Queria eu poder dizer outras coisas nesse momento, talvez não era isso que estava esperando ler mas era isso que eu queria dizer...

O silêncio tem trazido paz em todos esses momentos!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Passagens Solitárias


Antes não tivesse provado, antes não tivesse caminhado
Porque agora se sabe como as coisas funcionam
Você prova e sempre vai querer mais
Você caminha e não se cansa
Porque aquilo tudo te faz bem

Só que é uma passagem solitária
É um caminho que ninguém vai seguir com você
Podem até te acompanhar por um pedaço
Mas é tão curto que a maior parte do tempo você está só

É saboroso, mas é para o seu paladar
Cada um vai possuir uma avaliação a esse respeito
É adocicado, derrete na boca e dá a impressão de que tem mais
Mas no fim tem um gosto adstrigente,
Mas é tão bom que sempre se quer mais!

Na verdade é um caminho sem volta
Você segue sozinho
Mesmo que talvez não tivesse que realmente pegar esse caminho
Mas nada vai tirar o prazer de tê-lo escolhido
Mesmo que seja só, somente você pode dizer a respeito
E é isso que importa!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

HORIZONTE

As novas nuances que aparecem no horizonte
te convidam a seguir a jornada
É algo quase supremo
É insuficiente apenas olhar e contemplar
O caminho te convida
Tudo parece tão imprevisivel
Bem diferente daquilo que ja está acostumado

É então que decidi seguir
Já se está muito cansado de viver as mesmas coisas
De se ter horário marcado para tudo e para todos
De viver em uma prisão sem grades
de ser refém do seu próprios desvaneios, que chegam a ser improváveis
Não se vive no cárcere
Não se alimenta do que vê
Não se senti do que passa
Mas aquilo que toca
que se prova
que se experimenta
aquilo sim
é vida

Vida que se esvai entre os dedos
vida que se sente pela pele
vida que se contempla
vida que regozija
vida que passa a ser vivida

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O vento batia e denunciava que algo estava chegando ao fim
E encantava porque começara daquela forma
Foi num dia de outono quando tudo está sem graça, as folhas caem, o tempo está seco
quando nada se espera para aquele dia...

Foi uma tarde de verão em pleno outono, o calor consumia, o sentimento gritava, mas todos eram surdos para ouvir, apenas aquele vento mostrava o quanto se podia esperar daquele momento.
Ele bailava pela pele, arrepiava os pelos, sussurrava, denunciava o que estava na alma, contorcia na música que valsava... Sempre querendo mais, sempre esperando por mais...

Mas como estava em outono seria difícil outro dia naquele formato, olhava para o horizonte e já se podia ver vários ipês em flores, denunciando o fim da estação e a chegada das primeiras chuvas, e aquele mesmo vento tocou novamente, só que uma informação diferente, um momento diferente, sons diferentes, sua valsa era pesada, sua música era triste, valsava lentamente e denunciava o fim a que tudo estava proposto...

O fim de si mesmo!