terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Porque


Eu queria fazer uma canção,
mas não consigo ouvir a melodia.
Eu queria escrever,
mas me faltam palavras.
Eu queria te ver,
mas você não está aqui.
Eu queria sonhar,
mas me faltam noites de sono,
queria ouvir os seus passos,
mas só consigo ouvir a chuva lá fora,
o frio que invade,
o vento que balança as janelas,
que balança a minha alma.
Queria sentir o teu toque,
mas já não sei como ele é,
queria ver cores,
admirar fontes,
desvendar os céus,
mas aqui dentro dos meus olhos é cinza,
é seco, é raso.
Porque só assim posso ser mais profunda,
posso definir os tons,
posso dizer quem sou.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Espera




O paladar está seco,

Não consigo controlar a falta,

Já faz falta em mim há muito.

Tentei disfarçar, omitir, fugir

Mas como poderei alimentar a alma que me afogueia?

Por acaso há outra fonte que poderei beber e me fartar?

O silêncio prossegue enquanto me seguro,

Me controlo e não me encontro.

Procuro, invento e no fim me recrio.

Mas a falta tem sabor amargo,

Tem a fonte escassa.

Quando dou por mim estou à espera

Espera que me pega de surpresa,

Que me deixa inquieta

Que exige algo que não posso dar.

É como um vento de verão,

Um frio que corta,

O sol que queima,

A chuva que invade cada pedaço,

Cada abertura, cada espaço,

Não posso e não quero,

Depois quero e posso,

Na verdade não sei o que posso,

Muito menos o que quero,

No fim é a isso que me proponho,

A falta insaciável,

A espera interminável!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Repouso



Era sombra e água fresca
mesmo que fosse muito pouco
era um momento ímpar.
Refletindo no futuro,
compartilhando o passado.
Cada momento merecia uma recordação, uma lembrança.
Histórias jamais contadas e
nunca ouvidas.
Momentos de silêncio e paz,
momentos que nos trazem um pouco mais daquilo que somos.
As cores, o universo, os detalhes,
o azul do céu refletido em olhos.
Nada desperdiçado,
nada ignorado,
nada dissolvido.
Deixou um pouco de si,
e levou um pouco dali.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Me falta




Me faltam palavras
me faltam nuances,
É uma falta do que não há em mim
É uma falta do que preciso e não tenho.

São tantos momentos,
São tantos retratos, fatos
Me faltam minutos,
me faltam do mundo.

O tempo que não passa,
A mudança que não chega,
A certeza da espera
E a falta que prospera.

A falta de mim,
A falta de ti,
A falta que jamais acaba.
E quando está perto de mim
Minha falta é calada,
Ainda não encontro palavras
me acabo enfim!