
O paladar está seco,
Não consigo controlar a falta,
Já faz falta em mim há muito.
Tentei disfarçar, omitir, fugir
Mas como poderei alimentar a alma que me afogueia?
Por acaso há outra fonte que poderei beber e me fartar?
O silêncio prossegue enquanto me seguro,
Me controlo e não me encontro.
Procuro, invento e no fim me recrio.
Mas a falta tem sabor amargo,
Tem a fonte escassa.
Quando dou por mim estou à espera
Espera que me pega de surpresa,
Que me deixa inquieta
Que exige algo que não posso dar.
É como um vento de verão,
Um frio que corta,
O sol que queima,
A chuva que invade cada pedaço,
Cada abertura, cada espaço,
Não posso e não quero,
Depois quero e posso,
Na verdade não sei o que posso,
Muito menos o que quero,
No fim é a isso que me proponho,
A falta insaciável,
A espera interminável!
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