quarta-feira, 20 de abril de 2011

Arrasto


Arrasto os meus dias como aqueles
que arrastam uma corrente de ferro nos pés.
São presos no físico, mas voam na mente.

Arrasto minhas vontades
como se delas quisesse me desfazer.
É a necessidade do nada, do incerto, do vazio.

Arrasto o meu tempo
como se fosse o que menos me vale,
porque na verdade eu ainda não preciso.

Arrasto os meus planos,
sobrecarregados de pequenas porções de esperança
como se o mundo jamais fosse parar de girar.

Arrasto o meu ser, a vida, as batidas do meu coração
como se em algum momento fosse encontrar a solução,
a medida exata de tudo,
daquilo que preciso.

É como se eu deseperadamente precisasse
desse eterno processo.
É como se nada dependesse de mim,
como se o passado e o futuro não conseguisse se desligar,
Como se o mundo jamais fosse o meu lugar.

domingo, 10 de abril de 2011

Caminhos


A medida que o tempo passa
os momentos se tornan apenas lembranças, marcas.
Me confundo ao perceber,
que o que já tive desejo,
que o que tenho anseio,
é a necessidade do infinito,
que me angústia, me aperta,
o infinito que jamais iremos ser.

É a eternidade da não existência
é o vazio do não ter
é a imensidão das opções
que em nenhuma delas há você.

São as escolhas a serem feitas,
as marcas que nos restam
seus passos que invadem,
a voz trêmula, insegura.
São várias vidas que queríamos ter,
onde só podemos viver uma,
e a cada passo ver,
o que poderíamos ter sido,
se escolhessemos aquele caminho para viver.