segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Muralha




O universo e seus mistérios

as diferenças, as circunstâncias.

O vazio que jamais preenche

a falta que nunca acaba.


A certeza do incerto,

o caminho que se apaga.

O que sinto não se escreve,

o que penso não se expressa.


Fico muda, calada;

a mão procura e não encontra

um papel, uma caneta

e não há palavras.


Viro circo, viro mágco

se lá no fundo houvesse jeito

de se retirar um desejo

de se ver os olhos brilhando.


Voo alto, mas embaixo

o que é real ainda me atinge

fecho o circo, a muralha

e me fecho por inteiro.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Isolo



Com a franqueza me escondo de todos,
quando penso na dor, me isolo
de repente grito, logo me calo
volto ao padrão inicial.

Se acredito que estou assim,
tento lidar com o que sinto,
às vezes nem lido,
deixo quietinho lá naquele canto,
às vezes não há canto para colocar.

Penso em não pensar,
ignoro, isolo, não falo.
Logo desabafo, grito, calo,
eis que um vício se transforma.

Uma reação se aflora e não sei o que fazer,
se me isolo é porque sofro,
se grito é proque preciso,
quando menos espero,
já estou só, em silêncio.

Silêncio que aperta,
que na verdade não é silêncio.

Obs: foto de Rubens/Senegal