quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Esqueço






Me procure, estarei em qualquer lugar,
um lugar daquele pedaço de mundo,
do pedaço de mim
da estreita vontade de mudar
do eterno desejo de ser.

Não me ligue,
venha atrás
eu não recebo recados,
eu não anoto detalhes,
eu apenas sinto o toque
e isso já é o suficiente.

Tudo é imenso e pequeno,
tudo pode ser indescritível
apenas desejo,
e se assim realizar
estarei naquele lugar

Lugar em que me esqueço do mundo,
esqueço da vida,
esqueço de esquecer a entrega inusitada,
o doce beijo, a calmaria, o toque.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Você


Eu não espero ser compreendida por todos
Não espero, muito menos desejo que voltes
Foram tempos de silêncio, renúncia
Talvez os olhos estavam cegos para o que agora vejo.
Observo o mundo, o meu mundo, o seu mundo,
Tão diferentes mas tão iguais.
Procuro o fio da meada,
Aos poucos desfaço os nós,
no final é a mim que encontro
você não está mais!

Não consigo me encontrar em você.
Antes era o barco seguro, a mão de apoio,
hoje se tornou barco sem rumo,
a mão que não procuro.
É fácil e ao mesmo tempo difícil
é perto ao mesmo tempo infinito
é palpável e intangível.

Não procuro mais,
Se é a mim que anseio
não posso esperar que me veja em você.
Se é quem eu sou que descubro,
não posso querer me contentar com você.
Se é a vida que navego
não posso achar que você é o meu porto,
não posso acreditar no indefinido,
posso crer no que ainda sou!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Amor




Eu sempre acreditei no amor, eu sempre achei que o amor pode dar certo, eu olho para o mundo e vejo várias, milhares de possibilidades para o amor, eu consigo mensurar cada uma delas, cada olhar, cada palavra, cada presente, cada sorriso, cada ser que espera, acredita, almeja.

O amor pode ser um vento leve que toca o rosto, pode ser um toque suave na mão, um carinho, um cuidado, pode ser uma espera interminável de grandes desejos e planos, pode se alimentar da alma, do olhar, da vida que se abre, do momento oportuno, da sincera e clara memória.

O que não sei e nem ao menos consigo imaginar é o padrão como simplesmente acontece, é a forma com que se apresenta, é a intensidade que se entrega, é a maneira que se desenrola.

Não sou ambiciosa, muito menos uma expectadora da vida, o amor é simples e complexo quando unido ao ser amado, o amor não possui regras, nem passos, o amor não espera ser visto, apenas sentido, lembrado.

A grande expectativa de todas as vidas por mais que elas neguem, é ser um protagonista no teatro que desenvolve o amor. É ser a vida, o sentimento, a sua expressão, enfim, é ser depois de anos a fio a personificação da arte do amor.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Mar

Parou na beira do mar
Realmente naquele instante soube,
já tinha a plena certeza
estava enterrando um grande amor...
Nem era tão grande assim
afinal de contas, acabou morrendo
minguando na solidão,
nos dias de espera intermináveis,
Nas noites de ausência e solidão,
nos olhares não correspondidos
nas meias palavras,
nas respostas rudes.

Esperou tanto
que a própria espera fez da sua presença, a sua morada
chegou ao ponto,
já não sabia o que esperava,
apenas esperava,
silenciosamente...

Quando chegou percebeu
que a espera tinha sido longa
e que na verdade
não era mais aquilo que esperava
desejou tanto, que acabou se sentindo confusa,
perplexa com tamanha variação.
Achou melhor continuar esperando
quem sabe em um novo reencontro
mas quando reencontrou,
realmente havia morrido.

Morreu da espera,
da ausência consentida,
da distância percorrida,
das horas a fio,
morreu porque não se aguentava mais...

Então parou na beira do mar
derramou seu balde de emoções,
de anos,
planos,
desejos,
derramou a sua espera,
E se fartou com a brisa,
Se reencontrou enfim.