sábado, 10 de dezembro de 2011

O silêncio brota no meu coração,
as poucas palavras que tenho são pra você.
Já não consigo imaginar algo melhor,
é tudo nublado, tudo vazio.
Vazio como está a sua casa,
as suas roupas, os seus sapatos,
vazio de não te ter no olhar,
nem sua voz posso ouvir.
É melhor, é sim,
mas a falta que faz agora
é de doer, de apertar, de cortar algo em mim.
É quando penso que tive o tempo todo,
todas as palavras, todos os meios.
Me expressei mais que muitos,
te amei muito mais.
Mas ainda é pouco
perto do que ainda podia fazer!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Despedida




Eu queria que o tempo parasse para que eu pudesse sentar ao seu lado e poder apenas acompanhar a sua respiração e quem sabe ler algo que você goste ou cantar a sua música preferida.

Eu queria que o tempo parasse para poder estar ao seu lado quando você abrisse os olhos e assim poder me ver com um lindo sorriso ou para ver o seu úlitmo suspiro, consciente que você fez tudo, tudo o que podia, que amou mais do que muitos e que você deseja o melhor para nós.

Eu queria poder crer que é apenas uma situação e não algo definitivo, algo que vai me privar dos seus elogios, das suas preocupações, da vontade de te ver e sempre te achar tão linda, tão minha, tão amada.

Eu me lembro perfeitamente de cada palavra, cada correção, cada olhar e eu me lembro também do quanto eu a comparava com um lago calmo, sereno porque você transmitia isso não só pra mim, mas para todos que se achegavam à você.

É díficil pensar e considerar que você está partindo com tanto sofrimento mesmo que não sinta, para nós você está sofrendo, é terrível pensar que após tantos anos passou por essas complicações que ninguém jamais espera.

Eu amo me lembrar de quando eu me sentei na sua cama no período mais difícil da minha vida e pude confiar e acreditar nesse Deus que você me apresentou, pude confiar em quem você, todos esses anos confiou, acreditou e firmou a sua fé.

Tem uma força muito maior que me faz acreditar que a sua vida foi uma vida com propósitos, uma vida voltada para aqueles que precisavam de uma palavra de amor, para aqueles que precisavam apenas de um abraço, para aqueles que precisavam conhecer um amor maior, cheio de virtudes, sacrifício por nós.

Eu sei que tudo é uma questão de tempo, que o tempo cura tudo, mas sinceramente esse sentimento jamais vai acabar ou amenizar, ele pode ficar quietinho dentro de mim, mas sempre estará lá.

Você foi amada por todos: irmãos, filhos, sobrinhos, netos, cunhadas, primos, genro, nora, todos se uniram em oração por uma pessoa mais do que importante para todos nós.

Eu não tenho palavras para expressar o que eu sinto por você, o meu amor é maior do que as minhas palavras podem descrever, é imensurável, é profundo. O meu amor pode ultrapassar conceitos, palavras, gerações. O meu amor por você é único!

Eu queria que você não tivesse passado por isso, eu queria que você dormisse e acordasse no céu, eu queria que a vida apenas a deixasse sem mais nem menos e nos deixasse apenas a saudade, o amor, a vontade de te ter mais perto.

Mas não, quis o destino te levar devargazinho, deixando em nós um aperto sem fim, uma solidão, uma tensão, sem saber o que fazer, sem poder fazer algo e em silêncio derramar lágrimas por te ver tão frágil, tão pequena, tão só naquela sala gelada, sem aconchego, sem nós ao seu lado.

É algo que eu não posso conter, não posso controlar apenas chorar para quem sabe aliviar o que eu sinto, não tive o prazer de ouvir as suas histórias, de escrever sobre você, não tive o prazer se me expressar o máximo possível. Na verdade eu nunca quis acreditar que esse dia ia chegar, eu tinha tanta fé que ele nunca chegaria, que jamais quis me preparar, me negava a fazer isso, porque para mim você simplesmente ficaria, ficaria, ficaria.

Não ficou, ficou apenas a saudade o lamento, o amor, os ensinamentos e isso é pouco perto do que sua presença era pra mim, eu quero dizer que sempre vou te amar, que sempre vai estar aqui, mesmo que não esteja, que para mim, dentro de mim, você sempre viverá.

Amo você!



sábado, 29 de outubro de 2011

Alimento


















Eu me alimento da solidão



é na solidão que crio palavras,



não que elas não existam,



mas criam forma quando unidas corretamente.






Eu me alimento do silêncio,



é no silêncio que crio imagens,



vejo possibilidades,



estudo as fontes, a delimitações,



é no silêncio que talvez me encontre.






Eu me encontro nas palavras,



nos momentos angustiantes,



na falta de algo, na escassez do verbo.






As vezes não me encontro,



não controlo, não limito.



As vezes o silêncio, a solidão é pouco,



para definir quem sou.






Na verdade nunca me defino,



se isso acontecer, acabará o eterno desejo de descobrir,



acabará a certeza de um dia poder ser,



acabará o fato de que nada nunca é certo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Controlar





As palavras não podem descrever a sensação

A música não pode ameniza a dor

É um silêncio sem fim

é um apertar no coração.


Olho para ti,

talvez não haja voltas,

apenas palavras, canções

que me lembram, me cercam.


Não tenho nada para oferecer,

não tenho poder para mudar,

não posso me esconder,

eu não posso atropelar.


As entregas de uma vida,

os anseios do coração,

o saltitar de uma batida,

as esperas em vão.


Seria apenas um momento,

apenas um instante,

se tornou mais eterno,

se tornou mais desgastante.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011



Isso jamais aconteceu, nem ao menos faço menção de coisas que acontecem cotidianamente comigo, são apenas texto que expressam minha forma de ver o mundo. Este blog jamais será um diário de bordo, mas hoje aconteceu algo inusitado, recebi um poema, reconstruído do meu poema anterior como resposta ao que havia escrito... Este alguém me surpreendeu, sem mais nada a dizer segue o poema.



Se me tens sempre contigo;

seguro estou em ti.

Mesmo que não seja tão seguro assim;

me tens como sempre teve.

Não com menos expectativa;

nem com menos poder;

tão pouco com menos de si mesma.

Me tens porque necessita;

me tens porque me queres;

me tens para jamais esquecer,

que algo de mim, em ti, pode ser bom.

Me tens por ter;

por sempre estar,

por não me querer,

porque tudo envolve o que és;

o que tens,

o que precisas,

me querer, ou não me queres, ou sequer precisas.

Me tens sem ter,

sem poder, sem temer,

não me tema.

me tens por limites,

me tens por prevenção,

me tens por não criação,

me tens por nenhuma ilusão.

Apenas me tens!!!


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tenho




Te tenho sempre comigo,

seguro em mim,

mesmo que não seja tão seguro assim.

Te tenho como sempre tive,

agora com menos expectativa,

com menos poder,

com menos de mim mesma.

Te tenho porque preciso,

te tenho porque quero,

te tenho para jamais me esquecer

que algo em mim pode ser bom.

Te tenho por ter,

por sempre estar,

por não querer.

Porque tudo envolve o que sou,

o que tenho,

o que preciso,

quero, ou não quero, ou não preciso.

Tenho sem ter,

sem poder, sem temer,

talvez temendo.

Tenho por limites,

por prevenção,

por não criação,

por nenhuma ilusão.

Apenas tenho!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lugar








Quando entro por aquela porta


eu não sei a resposta certa, não sei o que encontrarei, nem o que me espera.


Aquele lugar é inédito,


mesmo que eu já tenha estado lá várias e várias vezes.


Quando atravesso aquela porta e encontro o outro lado,


fico pensando em que vou me esbarrar dessa vez,


qual o motivo será reclamado,


qual conversa vou desenrolar.


Quando encontro este outro lado,


observo os sentimentos que se encontram lá,


alguns há muito tempo negligenciados,


outro a flor da pele,


alguns escondidos,


outros ainda desconhecidos.


É apenas um lugar que compulsoriamente tenho que entrar,


dia após dia, esteja sol ou chuva lá fora,


independente do que sinto ou não sinto.


Às vezes da vontade de que tudo em mim adormeça,


porque na verdade não há remédio para esse lugar,


não há solução, apenas o silêncio invade cada espaço, cada detalhe.


São palavras mal ditas, mal expressadas,


são momentos que jamais deveriam existir,


são acusações, são reclamações


e muita, muita falta de amor ao próximo,


amor ao que existe e ao que não se possui mais.


Aquele é um lugar inabitável, inconsolável, insuportável, inexistente.


É um lugar que jamais reconheceu a falta, a dor, a companhia, o desespero o apelo.


É um lugar que luto para aqueles que estão lá. reconheçam e saiam,


é um lugar que imploro para que ninguém mais entre.


É a verdade não sabida, é a exclusão do que se é.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não Querer



Eu queria estar em outro lugar ,

queria estar em outro mundo.

Eu queria simplesmente não querer,

queria que não houvesse vontade em mim.


Queria que tudo fosse um sonho

que um dia eu iria acordar e ver que tudo é diferente.

Não sei mais o que sentir,

não sei o que querer,

porque o que sinto não posso,

o que quero não procede.


É tudo tão confuso,

tudo tão em vão.

Sinto que o querer é algo que não tenho.

Sinto que aos poucos algo se esvai e não volta,

agarro, mas escapam pelos dedos.


É algo que não posso dominar,

é algo que não depende de mim.

Sinto que o querer não é meu,

é apenas algo se vai

e não volta nunca mais.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011



Se eu pudesse olhar no fundo dos seus olhos

e pudesse ver o que há de melhor neles;

os seus sonhos, a forma como vê o mundo,

as cores, cores sem fim, suas próprias definições.


Se eu pudesse olhar a sua alma,

se eu pudesse mensurar os seus sentimentos.

Os sentidos, os desejos, o cheiro,

a verdade que ninguém mais sabe.


Se eu pudesse provar o seu coração;

e ver as suas batidas,

o compasso, o descompasso,

as aventuras, adrenalinas, o moinho.


Talvez nem eu saiba o que deveria ver

porque às vezes a gente não sabe definir,

não sabe mensurar,

não sabe admirar.


Talvez porque apenas um pouco, ja seja o suficiente.

E eu sem isso tudo, não sou nada.

Sou apenas um pequeno grão de areia

na imensidão que pode ser o seu mar.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pés




É a espera do nada

Do que não foi proposto

Do que ainda é incerto

Olho para o meio

E não consigo enxergar o caminho

Talvez porque não exista de fato

Mas talvez porque ninguém queira saber

No fundo é mais um processo

Dos vários que ainda vai me absorver

Absorver meus pensamentos

Minha memórias

Minhas limitações

Me enchendo de perguntas

A maioria sem resposta

A maioria sem direção

É tudo tão incerto

Tudo tão em vão

O destino meio distante

E os meus pés ainda no chão.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Você





Nós vivemos em mundos diferentes
nós vivemos em distâncias
se não fosse por apenas um motivo
jamais nos encontraríamos
não teria te abraçado
sentido o teu beijo
experimentado o teu toque.
Se não fosse por esse motivo
talvez jamais saberíamos um do outro.
As vezes sinto falta,
as vezes sinto vontade, até mesmo desejo,
as vezes eu não quero nada.
Mas em todas essas situações,
eu sei exatamente quem você é pra mim,
eu sei o que você é pra mim.
Eu reconheço cada detalhe
e não espero mais nada.
Apenas agradeço pelo o que me fez,
pelo pouco que deixou,
pelo o que eu fui pra você,
mesmo que seja apenas por esse momento.
Eu quero assim, desse jeito,
nesse contraste, nesse teor.
Para que eu saiba
sempre a medida exata disso tudo,
para que eu saiba até onde um dia eu já fui!

domingo, 12 de junho de 2011

Número




Sei que não sou pra você, mas queria ser!
Queria ser o seu número,
queria ser o seu desejo, a sua necessidade.
Queria saber que os teus olhos me contemplam
e que o seu pensamento está em mim!

Eu poderia sossegar e saber,
que ninguém a mais poderia me ter como me tens!

Eu queria que no sonho me tivesses
que a distância fosse um nada
e que a vontade fosse além.

Eu queria ser o seu número
eu queria os seus braços todos os dias
nem que fosse apenas para me envolver neles.
Seus beijos para alimentar o meu desejo e saciar o seu.

E assim em fartar,
me fartar do que não tenho,
daquilo que podes ter!

sábado, 4 de junho de 2011

Esperas





Meu coração dispara só de pensar em tudo o que já aconteceu em relação a você.
Cada música, cada filme, cada frase, cada lembrança, cada desejo que aflora em meu ser e me faz lembrar que ainda sou tua.
Do passado mais remoto ao minuto mais recente eu me lembro de você,
eu me lembro de todas as palavras, de todas as promessas não cumpridas, dos desvaneios da paixão, das ilusões, dos sonhos, das decepções.
Um dia temos que voltar para casa, um dia temos que reconhecer que o caminho é apenas um - somente um.
A minha casa é o seu coração, é onde jamais deveria deixar de habitar, mas é onde nunca permaneci por muito tempo.
Sou sua sem ser, sem provar, sem saber.
Sou tua desde o príncipio, desde a mais longínqua vontade.
Mas é o teu coração que me angústia.
É saber que tenho que dividi-lo como todas aquelas que amou, mesmo sabendo que nunca deixastes de me amar, que sempre voltastes para mim.
É saber que nem eu mesma me conformo com tamanha indecisão.
É saber que é no teu coração que me deito quando durmo e acordo quando preciso estar longe daqui, quando procuro refúgio, mesmo sabendo que nem és tão porto serguro assim.
É a chama do que ainda resta em mim, da centelha da vontade do desejo, que seguro com unhas e dentes, me controlo e não me deixo levar.
E a vontade alucina a minha noite e prolonga os meus dias, tempo que não passa, hora que não chega, no caminho certo, tempo de esperar, tantas esperas, tantas esperanças, coração bate forte, momento devagar, vida que vai e volta, roda gigante sem parar.
Eu já não sei quem eu sou, eu já não sei quem és tu,
eu sou alma ferida, tu és luz da manhã,
eu sou vento, tu és os contornos,
eu sou vela que se apaga, tu és fogo que arde.

Versos






Deixo os meus versos para momentos de dor,
de angústia, de pesar;
Crendo que cada palavra expressada,
vai me livrar dos tormentos do dia a dia.
Me esqueço que por onde passo,
mesmo aqueles que não me veem,
não saibam nada a meu respeito,
podem perceber, sentir que a dor se acumula em minha alma.
Quando esse momentos me alcançam,
vejo que metade ou mais da metade dos obstáculos não foram ultrapassados,
então volto ao início de tudo,
de toda dor,
de toda tormenta,
de cada palavra pronunciada.
Não sou mais a mesma,
Nem poderia ser...
É apenas a certeza de que apenas uma parte disso tudo está realmente superado,
os anos me mantém cada dia mais distante

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Última




Foi a última vez,
do eterno processo de te querer e não querer,
foi a última
da vontade de ser apenas tua,
foi o fim
da esperança, do desejo, da chama.

Os dias tem sido difíceis,
As noites longas,
Já não sei o que pensar
Perguntas e respostas que não tenho.

Foi mais uma morte,
uma sequidão.
A volta à algo que já estava esquecido,
o medo, a incerteza, o fim.

Foi mais um desligar
Sem que nada pudesse ser feito
os olhos já não são os mesmos,
a vida já não é igual.

A ilusão da lugar ao real
O sonho à realidade
E ainda não sei o caminho
És apenas mais um que se vai.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Flash



Me lembrei de coisas do passado,
veio a minha memória lembranças que já havia me esquecido.
Vejo nitidamente quem eu era
e que agora sou.

Os sentimentos que outrora me atormentavam,
já não possuem o mesmo efeito.
Os medos já não são iguais,
já não sei bem ao certo quais são.

É o mesmo que olhar para o horizonte,
enxergar a estrada,
mas não compreender os meios que me conduziram.
É apenas mais um passo ao desconhecido,
ao incerto, ao que talvez defina quem sou, aonde estou.

Quando olho para trás e me vem essas lembranças,
o quadro da minha existência,
a história do meu ser,
é como flash que abre, um após o outro,
que me mostram quando não quero vê-los,
quando não recordo deles,
quando não mais fazem parte de mim.

é apenas um amontoado de momentos,
razões, circunstâncias,
que me fizeram ora ser mais do que sou,
ora menos do que devo ser.

É apenas coisas que sempre vão fazer parte do que sou e não devia ser.
É apenas um reflexo do que gostaria de deixar de ser.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Arrasto


Arrasto os meus dias como aqueles
que arrastam uma corrente de ferro nos pés.
São presos no físico, mas voam na mente.

Arrasto minhas vontades
como se delas quisesse me desfazer.
É a necessidade do nada, do incerto, do vazio.

Arrasto o meu tempo
como se fosse o que menos me vale,
porque na verdade eu ainda não preciso.

Arrasto os meus planos,
sobrecarregados de pequenas porções de esperança
como se o mundo jamais fosse parar de girar.

Arrasto o meu ser, a vida, as batidas do meu coração
como se em algum momento fosse encontrar a solução,
a medida exata de tudo,
daquilo que preciso.

É como se eu deseperadamente precisasse
desse eterno processo.
É como se nada dependesse de mim,
como se o passado e o futuro não conseguisse se desligar,
Como se o mundo jamais fosse o meu lugar.

domingo, 10 de abril de 2011

Caminhos


A medida que o tempo passa
os momentos se tornan apenas lembranças, marcas.
Me confundo ao perceber,
que o que já tive desejo,
que o que tenho anseio,
é a necessidade do infinito,
que me angústia, me aperta,
o infinito que jamais iremos ser.

É a eternidade da não existência
é o vazio do não ter
é a imensidão das opções
que em nenhuma delas há você.

São as escolhas a serem feitas,
as marcas que nos restam
seus passos que invadem,
a voz trêmula, insegura.
São várias vidas que queríamos ter,
onde só podemos viver uma,
e a cada passo ver,
o que poderíamos ter sido,
se escolhessemos aquele caminho para viver.

domingo, 27 de março de 2011

O silêncio aperta a alma,
aprisiona o sentimento,
invade o espaço e deixa o vazio,
domina.

Vagueio pelo escuro tentando descomplicar os meios
procurando os fins.
Fim que esgota o fato,
define o ato.

Talvez não consiga ver o caminho,
a mão que me conduz.
Talvez nem exista um caminho em si,
apenas a vontade de seguir,
de não olhar pra trás,
de não me deixar levar.

É o passado que talvez não esteja bem enterrado,
Ainda há algo que incomoda,
talvez porque apenas não o deixo ir.

É apenas a sensação,
É o silêncio permanente,
a imensidão do caminho.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Diferença


Quando o diferente faz diferença,
quando se sabe que não se pode fazer nada,
quando o tempo continua mostrando,
está ali e você não vê.

Se nega a olhar e a contemplar o incerto,
porque o incerto é tudo o que você não queria,
quando se quer algo que não pode ter,
quando não consegues olhar para além do que pode ver.

Quando a diferença faz diferença em você,
quando as coisas deveriam ser diferentes e não é,
quando a vida vai e volta sem parar,
e na roda gigante você não sabe a onde que ficar.

Está tudo ali, mas não tem nada pronto,
quando algo fala além de você,
quando não consegue controlar
a falta, a dor, o anseio...

Quando não se pode mudar o que já aconteceu,
quando a diferença te mostra quem tu és e quem sou eu,
quando o tempo parece me dizer,
que há apenas uma vida pra viver.

sábado, 5 de março de 2011

Tempo




Tão simples como olhar pra trás,
é ver a vida que corre,
é ver o quanto já sofreu,
o quanto amou, errou.

Ano após ano, dia após dia,
aniversário, comemorações.
O tempo não para,
não espera, anseia.

Ansiedade que vem de dentro da alma,
do corpo, dos impulsos, do ser,
inquieta, remexe e não deixa,
é o tempo que escorre entre os dedos.

Tão simples e tão complexo,
são passos, são laços, são formas,
é o que há no mundo,
é o que há na vida.
E simplesmente nãos se sabe,
apenas se vai.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Palavras




É porque as vezes as palavras estão para explodir de mim,
é como um conto, um fato, um retrato,
mas as vezes elas estão lá
e me priva dos seus desvaneios,
me apertam, me sufocam e simplismente não saem.

As vezes nem preciso pensar, la vai mais um momento.
Em outros me fecho, me isolo,
acordo no meio da noite pensando e nada.

As vezes é por tristeza que falo de amor .
As vezes é por amor que falo de ausência.
As vezes é apenas uma frase que se tornou mais do que aquilo.
As vezes é por silêncio que desabafa a minha alma.

As vezes é por você que está tão longe
e preciso ter por perto.
As vezes é por aquele que está tão perto,
que preciso ter mais do que longe.

As vezes é pra dizer o que o coração está sentindo,
em outras é pra deixar de ser tão medíocre.
Na verdade é apenas pra não deixar de ser eu
e me lembrar de como é você!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Porque


Eu queria fazer uma canção,
mas não consigo ouvir a melodia.
Eu queria escrever,
mas me faltam palavras.
Eu queria te ver,
mas você não está aqui.
Eu queria sonhar,
mas me faltam noites de sono,
queria ouvir os seus passos,
mas só consigo ouvir a chuva lá fora,
o frio que invade,
o vento que balança as janelas,
que balança a minha alma.
Queria sentir o teu toque,
mas já não sei como ele é,
queria ver cores,
admirar fontes,
desvendar os céus,
mas aqui dentro dos meus olhos é cinza,
é seco, é raso.
Porque só assim posso ser mais profunda,
posso definir os tons,
posso dizer quem sou.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Espera




O paladar está seco,

Não consigo controlar a falta,

Já faz falta em mim há muito.

Tentei disfarçar, omitir, fugir

Mas como poderei alimentar a alma que me afogueia?

Por acaso há outra fonte que poderei beber e me fartar?

O silêncio prossegue enquanto me seguro,

Me controlo e não me encontro.

Procuro, invento e no fim me recrio.

Mas a falta tem sabor amargo,

Tem a fonte escassa.

Quando dou por mim estou à espera

Espera que me pega de surpresa,

Que me deixa inquieta

Que exige algo que não posso dar.

É como um vento de verão,

Um frio que corta,

O sol que queima,

A chuva que invade cada pedaço,

Cada abertura, cada espaço,

Não posso e não quero,

Depois quero e posso,

Na verdade não sei o que posso,

Muito menos o que quero,

No fim é a isso que me proponho,

A falta insaciável,

A espera interminável!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Repouso



Era sombra e água fresca
mesmo que fosse muito pouco
era um momento ímpar.
Refletindo no futuro,
compartilhando o passado.
Cada momento merecia uma recordação, uma lembrança.
Histórias jamais contadas e
nunca ouvidas.
Momentos de silêncio e paz,
momentos que nos trazem um pouco mais daquilo que somos.
As cores, o universo, os detalhes,
o azul do céu refletido em olhos.
Nada desperdiçado,
nada ignorado,
nada dissolvido.
Deixou um pouco de si,
e levou um pouco dali.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Me falta




Me faltam palavras
me faltam nuances,
É uma falta do que não há em mim
É uma falta do que preciso e não tenho.

São tantos momentos,
São tantos retratos, fatos
Me faltam minutos,
me faltam do mundo.

O tempo que não passa,
A mudança que não chega,
A certeza da espera
E a falta que prospera.

A falta de mim,
A falta de ti,
A falta que jamais acaba.
E quando está perto de mim
Minha falta é calada,
Ainda não encontro palavras
me acabo enfim!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Esqueço






Me procure, estarei em qualquer lugar,
um lugar daquele pedaço de mundo,
do pedaço de mim
da estreita vontade de mudar
do eterno desejo de ser.

Não me ligue,
venha atrás
eu não recebo recados,
eu não anoto detalhes,
eu apenas sinto o toque
e isso já é o suficiente.

Tudo é imenso e pequeno,
tudo pode ser indescritível
apenas desejo,
e se assim realizar
estarei naquele lugar

Lugar em que me esqueço do mundo,
esqueço da vida,
esqueço de esquecer a entrega inusitada,
o doce beijo, a calmaria, o toque.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Você


Eu não espero ser compreendida por todos
Não espero, muito menos desejo que voltes
Foram tempos de silêncio, renúncia
Talvez os olhos estavam cegos para o que agora vejo.
Observo o mundo, o meu mundo, o seu mundo,
Tão diferentes mas tão iguais.
Procuro o fio da meada,
Aos poucos desfaço os nós,
no final é a mim que encontro
você não está mais!

Não consigo me encontrar em você.
Antes era o barco seguro, a mão de apoio,
hoje se tornou barco sem rumo,
a mão que não procuro.
É fácil e ao mesmo tempo difícil
é perto ao mesmo tempo infinito
é palpável e intangível.

Não procuro mais,
Se é a mim que anseio
não posso esperar que me veja em você.
Se é quem eu sou que descubro,
não posso querer me contentar com você.
Se é a vida que navego
não posso achar que você é o meu porto,
não posso acreditar no indefinido,
posso crer no que ainda sou!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Amor




Eu sempre acreditei no amor, eu sempre achei que o amor pode dar certo, eu olho para o mundo e vejo várias, milhares de possibilidades para o amor, eu consigo mensurar cada uma delas, cada olhar, cada palavra, cada presente, cada sorriso, cada ser que espera, acredita, almeja.

O amor pode ser um vento leve que toca o rosto, pode ser um toque suave na mão, um carinho, um cuidado, pode ser uma espera interminável de grandes desejos e planos, pode se alimentar da alma, do olhar, da vida que se abre, do momento oportuno, da sincera e clara memória.

O que não sei e nem ao menos consigo imaginar é o padrão como simplesmente acontece, é a forma com que se apresenta, é a intensidade que se entrega, é a maneira que se desenrola.

Não sou ambiciosa, muito menos uma expectadora da vida, o amor é simples e complexo quando unido ao ser amado, o amor não possui regras, nem passos, o amor não espera ser visto, apenas sentido, lembrado.

A grande expectativa de todas as vidas por mais que elas neguem, é ser um protagonista no teatro que desenvolve o amor. É ser a vida, o sentimento, a sua expressão, enfim, é ser depois de anos a fio a personificação da arte do amor.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Mar

Parou na beira do mar
Realmente naquele instante soube,
já tinha a plena certeza
estava enterrando um grande amor...
Nem era tão grande assim
afinal de contas, acabou morrendo
minguando na solidão,
nos dias de espera intermináveis,
Nas noites de ausência e solidão,
nos olhares não correspondidos
nas meias palavras,
nas respostas rudes.

Esperou tanto
que a própria espera fez da sua presença, a sua morada
chegou ao ponto,
já não sabia o que esperava,
apenas esperava,
silenciosamente...

Quando chegou percebeu
que a espera tinha sido longa
e que na verdade
não era mais aquilo que esperava
desejou tanto, que acabou se sentindo confusa,
perplexa com tamanha variação.
Achou melhor continuar esperando
quem sabe em um novo reencontro
mas quando reencontrou,
realmente havia morrido.

Morreu da espera,
da ausência consentida,
da distância percorrida,
das horas a fio,
morreu porque não se aguentava mais...

Então parou na beira do mar
derramou seu balde de emoções,
de anos,
planos,
desejos,
derramou a sua espera,
E se fartou com a brisa,
Se reencontrou enfim.